Um inframince escultural

Artigo original aqui.

20141210_153439

Francisco Tropa, Tesouros Submersos do Antigo Egipto, vista da exposição, 2014

Diante deste título, hesitamos: “Tesouros submersos do Antigo Egipto”. E finalmente, como já tínhamos apreciado previamente o lugar (onde se encontra um emblemático pavão branco), e que o nome do artista evoca algumas recordações do Palais de Tokyo e de Veneza, acabamos por ir à exposição de Francisco Tropa no Museu da Cidade (até ao dia 22 de Fevereiro), e por lá ficamos mais de uma hora.

20141210_153613

Francisco Tropa, Tesouros Submersos do Antigo Egipto, vista da exposição, 2014

Trata-se mormente de escultura, mas é antes de mais uma viagem estranha, quase iniciática, um mistério mitológico, um percurso místico e simbólico, desconcertante e perturbador. Poderíamos dizer que existe um túmulo egípcio, mapas e planos, formas puras, símbolos entre os quais nós nos perdemos (sobretudo ao não compreender corretamente as indicações em português presentes na sala).

20141210_152959

Francisco Tropa, Tesouros Submersos do Antigo Egipto, vista da exposição, 2014

Alquimia de ouro e de chumbo, magia de lâmpadas de vidro iluminadas a partir de uma caverna, objetos de madeira e de latão, omnipresença de formas complementares, macho e fêmea, vazio e cheio, negativo e positivo, sensível e ponderado: temos a sensação de assistir à criação de um mundo, à construção de uma magia original, diante da qual apenas nos podemos quedar mudos, siderados. É uma escultura que se inscreve numa história, num mito, em vez de flutuar só num éter de pura abstração, e este facto torna-a muito mais interessante. E saímos com fome, com desejo de mais familiaridade com estas peças enigmáticas.

Fotografias do autor

Print Friendly, PDF & Email