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Ocupar o palácio do marquês

Artigo original aqui.

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Susana Anágua, Desvio, 2014

Mostrar arte contemporânea em lugares que, sem serem verdadeiramente ruínas, estão degradados, decrépitos mas carregados de história é um projeto delicado, por vezes incongruente (foi por vezes o caso nas caves do Palais de Tokyo) e por vezes mágico (lembro-me de uma exposição sóbria e violenta de Teresa Margolles num palácio veneziano). O Palácio Pombal, lugar de nascimento do ilustre estadista português, não parece nada de especial a partir da rua mas, além de um jardim tão decrépito como o palácio mas enfeitado com alguns pavões (haverá alguma colusão lisboeta entre pavões e arte?), compreende três andares de salas que adivinhamos terem sido magníficas: decoração rococó, tectos ornamentados, paredes de azulejos, chaminés de mármore…Mas tudo se desfaz sob os efeitos conjugados do tempo, da humidade e da indigência negligente, o soalho está torto e a pintura lasca. Que arte pode resistir num cenário destes? Como um bunker ou uma prisão, o Palácio fantasma, nos antípodas de um white cube, esmagaria obras demasiado descritivas, demasiado ligeiras.

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